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TEXTO DE ALUNO x TEXTO IMPRESSO

Estava lendo uma reportagem da Nova Escola e fiquei em dúvida quanto ao método apresentado. Nele não é trabalhado a Análise Linguística, como você nos ensinou no curso do Sindicato (de Professores de Curitiba). A professora da reportagem se utiliza da produção e da leitura de textos conhecidos, mas não faz aquele trabalho com acréscimo e trocas de letras, palavras que comecem com a mesma letra de tal palavra etc. Ela faz interferências direto na produção do texto do aluno, ela precisa estar o tempo todo de carteira em carteira orientando o processo. Não sei se fui clara, mas é porque algumas professoras já querem fazer somente este método, mas não “coloquei muita fé”, e essas mesmas colegas pediram para solicitar a sua opinião.
Mais uma vez peço desculpas por tomar o seu tempo, mas confiamos na sua experiência e admiramos o seu trabalho.

 

Vamos tentar: por e-mail não é fácil, mas não tem outro jeito. Não há nada de errado fazer o que a Revista e outros profissionais Construtivistas propõem. Ensinar a partir do texto do aluno tb funciona. Veja: para uma cça que tem em sua família um ambiente leitor, pessoas que podem mostrar para ela o que a escrita representa e para quê a escrita serve, aprendem rapidamente se a escola fizer a intervenção apenas em suas prouções textuais. Essas cças estudam em escolas ricas, com prof. bem preparados e APENAS 20 alunos em classe. Nosso caso é diferente. Além dos 30 alunos, de 30 famílias que não usam nem valorizam a escrita, mais todos os outros problemas relacionados AO CONHECIMENTO, nossas crianças não sabem realizar sinapses sozinhas ( o que o filho do rico faz desde que nasce). Nossos alunos precisam que A ESCOLA AS AJUDE A PENSAR SOBRE O OBJETO DO CONHECIMENTO (a língua escrita, em nosso caso). Essa é a diferença entre o que proponho (uma metodologia desenvolvida para cças POBRESSSSSS) e o que os LIVROS genericamente propÕem. A prática de análise linguística mostra os fatos da lingua escrita NAQUILO QUE A SOCIEDADE USA (texto com função social) para todos os alunos. Não de um por um e apenas alguns fatos linguísticos. Fato que essas cças não veem em casa. A prática do texto coletivo mostra COMO aqueles conteúdos se organizam para ve i cu lar (não é vincular) nossas ideIas. Temos então a sistematização do eixo USO-REFLEXÃO-USO colocado nos PCN. Concluindo: se a prof. da Rede Municipal de ensino ficar apenas interferindo naquilo que a cça escreve ela produzirá 30 alunos analfabetos por ano, pois a prof. que pegar essa turma no próximo ano continuará não mostrando O QUE É, COMO FUNCIONA E PARA QUE SERVE A ESCRITA.

Querida Ana Paula
Estou quase sem fôlego de tanto que escrevi. Mas adorei responder isso pra vc. Gostaria que o mundo soubesse disso!!!! Então teríamos alunos letrados e alfabetizados ao mesmo tempo. Abraços esperançosos, Sandra Bozza

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Um Comentário

Mariah on 03/03/2013

Querida Sandra, sou sua fã! Amo o seu trabalho e acompanho-o. Não sou professora alfabetizadora, sou pedagoga e estou na coordenação pedagógica de uma escola pública, portanto, tenho estudado tudo sobre o assunto para poder orientar os professores. Se puder me indicar onde buscar sugestões de atividades para alunos que não leem, seria muito bom, pois temos uma turma de 3o ano onde nenhum aluno lê. Estamos desesperadas (eu e a prof da turma). Queremos muito fazer essas crianças avançarem, afinal, são 4 anos que estão na escola (contando com a pré escola). .. penso que já deveriam estar lendo. Agradeço. Saudações pedagógicas.

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Sandra Bozza

Há mais de 37 anos se dedica ao magistério na cidade de Curitiba, é professora de Língua Portuguesa e, além de linguista e cientista social na área da educação, estuda com afinco a Psicologia do Desenvolvimento Humano com um único objetivo: desenvolver uma metodologia de ensino apropriada para alfabetizar com mais sucesso as crianças cujas origens determinam seu distanciamento da cultura letrada.

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